Não tenho feito planos em papel, e talvez seja essa uma das causas dessa estranha e corriqueira sensação.
Sem rumo e, ao mesmo tempo, abrigado.
Sem rumo, sem perspectivas, mas cheio de ideias e planos.
Aparentemente sem identidade, mas contundente no jeito de ser.
Numa hora parecendo entediado, e noutra totalmente contente.
Bom, foi !
Frustração confessa — parte 2
04/01/2010
Seguindo…
O ponto é que eu tinha tanto gosto pelo que eu fazia, que cheguei a dizer que queria ser desenhista de quadrinhos nos EUA.
Sim, porque havia brasileiros trabalhando nas megaeditoras dos gibis, como Mike Deodato (seus desenhos em Mulher-Maravilha transformavam simples personagens femininas fictícias em mulheres altamente desejáveis…).
Acontece que, como eu disse na primeira parte, eu me esquivei de desafios de aprendizado de desenho…
Assim, não me desenvolvi direito, porque acho que não tive saco.
“Falta de persistência”, eu sei, dirão os que pretendem sintetizar minha postura.
Mas toda falta de esforço pode indicar alguma coisa…
Não que, necessariamente, eu não gostasse de desenhar.
Como eu já disse, eu gostava… e o fazia inclusive nas composições visuais de Educação Artística (1997 a 2000). E até sem ninguém mandar…
Mas eu não tinha disciplina, ou não fazia desenhos com a intenção dirigida, tipo “hoje vai ser natureza morta”, ou “hoje vou treinar perspectiva”…
Nunca soube direito desenhar paisagens…
Não que eu não tenha tentado, mas acabou que fui seguindo com minhas histórias com a acomodação de que era preciso somente desenhar os personagens…
Essa acomodação foi uma fraqueza.
Eu desviei de uma dificuldade, e fiquei limitado ao que eu sabia fazer (o que, aliás, em termos de desenho profissional, ainda precisava de “muito feijão-com-arroz”…).
Parei de fazer HQs lá por 2001, 2002 (nessa época, fiz uma ou outra depois de longo jejum).
Em 2002, meu irmão pagou umas aulas de desenho pra mim e, adivinhem, não fiquei muito tempo.
Falta de persistência, apesar de gostar de certo modo de HQs e de desenhar…
Por isso que digo que, se eu não tentar novas empreitadas na arte do desenho, serei um frustrado ao menos nesse aspecto da minha história de vida…
Será que me importo tanto assim ?
Frustração confessa — parte 1
04/01/2010
Olha, é chato dizer, mas fácil de assumir (?!), mas lá vai: pode ser que eu termine a vida como um desenhista/roteirista frustrado.
Lembro que eu tinha uns 8 anos quando comecei a fazer minhas HQs.
Naquela época, acho que o que rolava nos quadrinhos da DC era O Retorno do Super-Homem (grande Dan Jurgens — não desmerecendo os outros artistas…).
Eu sei que, como em quase toda criação, o início — ou até boa parte do que veio depois — das minhas aventuras quadrinhísticas tinha como modelo os heróis e monstros dos EUA, aqueles raios, as capas.
E, óbvio, eles podiam voar !
Saí criando grupos que tivessem nomes de Liga, Tropa etc…
E criar personagens com Super no nome era quase tão natural quanto respirar.
O fato é que fui fazendo minhas histórias, minhas revistas — sim, eram revistas com títulos diferentes, todas sob o selo de minha editora de faz-de-conta… — da maneira como podia, desenvolvendo algumas habilidades como desenhista, mas também evitando algumas dificuldades.
Cara, vou te falar: até adorava (e até adoro, ainda que não desenhe há tempos…) desenhar olhos, nariz — rosto, enfim — , coisa que fui aprendendo até com observação ao espelho.
Mas confesso que evoluí pouco no que tange desenhar corpo humano, apesar de curtir desenhar formas femininas, com certas curvas (aprendizado também por observação, só que de livros de desenho…).
CONTINUA…
?
02/01/2010
O que é que acontece quando parecemos travar na escrita ?
Há tantos sentimentos, tantos fatos… tantas canções em potencial !
Oba !
Só preciso de paciência pra passar o que penso para textos, musicados ou não.
Resolver ou abrandar ?
30/12/2009
Nova Iguaçu, 28/12/2009
Superar é seguir em frente tendo resolvido a situação, ou simplesmente ir vivendo e deixar o tempo abrandar os ânimos ?
Se superar for seguir em frente com um sorriso na alma, com a mente serena, confesso que não tenho tido tanto sucesso.
Ou talvez sim. Estou confuso.
O que sei é que demoro a me desvincular emocionalmente de alguma tristeza recente.
Ainda que essa demora seja compreensível e dure somente alguns dias, parece que me repreendo quando eu baixo a guarda para o pranto.
É normal ter lembranças complicadas de se tratar.
O bom é tentar tirar alguma lição das horas difíceis. É bom, mas não é o bastante.
“Esquecer” ou “lembrar para aprender” são atos saudáveis para que não enlouqueçamos. Só que há vezes em que pareço não querer esquecer certa pessoa, pois dá a impressão de que essa pessoa vai ser apagada para sempre — e de fato a pessoa parte.
Sem sombra de mim 2
23/11/2009
Outro problema é o de eu só reagir,
e sei que nisso há timidez,
mas também falo de esperar que os outros digam, decidam ou façam algo, para então dizer coisas que podem ser da minha própria vontade ou coisas que simplesmente seguem o embalo.
É preciso ser mais convicto, ao invés de reticente.
E não há um modo único de agir socialmente, porque isso varia conforme o grupo e, é claro, conforme meu jeito de ser e meu estado emocional.
Sem sombra de mim 1
23/11/2009
Às vezes eu sou um ser mais potente,
por vezes não sentem nem sombra de mim.
Fico me calando muito quando não conheço certas gentes
e isso não significa necessariamente um comportamento anti-social.
Ao menos, não uma eterna falta de entrosamento,
porque as conversas devem fluir espontaneamente,
assim como os textos:
de algum modo se começa !
Contrastes e guetos em cores leves
17/10/2009
Quando chego a um lugar cuja realidade é surda e estrondosamente contrastante, fico numa perplexidade que é um misto de deslumbramento com agonia.
Sim, porque se, por um lado, vejo uma parte bonita e bem atendida da cidade, por outro, vejo as tantas torres e recantos que são lares de gente muito mais abastada do que a galera que vive no chamado subúrbio.
Uma das agonias é esse desnível social e de modo de vida sustentado pelo suor dos que são ignorados no discurso maquiado dos políticos vendedores.
A outra é uma agonia por sentir que eles (moradores desses locais em questão) são uma espécie de gueto.
Gueto porque (ao menos parece que) alguns moradores quererem se isolar das outras partes da cidade, numa espécie de mundo suave e de leves cores.
Gueto também porque parecem estar a todo tempo temerosos do que pode acontecer a seus polpudos patrimônios…
E isso deixa as ruas desertas para os passantes suarem e correrem de possíveis assaltantes, à noite…
Como exemplo, posso citar um bairro em que já estive umas 4 vezes, que é a Gávea…
Bom, acho que é isso, é essa a catarse…
Nada contra quem mora, é muito mais a favor de uma realidade mais justa.
Conduta e incoerência 3– “DOENÇA DA PAIXÃO”
11/10/2009
O equilíbrio é a situação ideal quando falamos de razão/emoção.
É… isso é bom em tese, porque, conselho vai, conselho vem, e a despeito dos momentos serenos, se surge uma paixão, a coisa é bem diferente.
Na busca por amor e/ou sexo, se a pessoa estiver passando por carência, se criar muito rapidamente vínculos com alguém, haverá momentos de descontrole intenso: insistências, declarações exaltadas, enfim, tudo que decorre de uma “doença da paixão”…
Então, pode ser que, em alguns momentos, eu aconselhe equilíbrio aos outros (se bem que recentemente tenho assumido as dificuldades disso), para que as pessoas não se mergulhem em pensamentos sombrios…
mas às vezes tenho comportamentos de forte apego…
Conduta e incoerência 2– DESEJO x ESFORÇO
11/10/2009
Dou conselhos aos amigos sobre estudos e evolução dentro das escolhas que eles consideram que sejam o melhor, o que vai fazê-los feliz.
Acontece que há momentos, sim, em que estudo bem, com disciplina.
E nisso vou tomando mais consciência.
Só que, com frequência, me pego no conflito entre obrigações x outras coisas, ou desejo x esforço…
E nisso vou lutando para me superar… e enxergando que nem sempre o problema é indisciplina, mas desconhecimento de método.
Considero que estou numa época de descobrir por mim mesmo, mas muito mais, por orientação de outros, métodos eficazes (de estudar, por exemplo).
E isso é muito importante para alcançar metas.
Trocando em miúdos, ajuda a ter alegrias.